26/09/2017

Sem título mesmo, porque não sei que título colocar...

Olá!

Depois de mais de um ano longe desse meu pedacinho aqui na blogosfera/ciberespaço, hoje resolvi dar o ar da graça (ou dar graça ao ar... já nem sei) aqui no meu território virtual.

Foi um ano de muitas atividades e de muitos acontecimentos, pessoais, nacionais e mundiais.

Eu estou em uma dança (que já parece eterna) com o doutorado e quando penso que aprendi a coreografia a música muda e eu fico com a cara na poeira, mas sorrindo, porque sou brasileiro e não desisto nunca!

Além do doutorado, meu trabalho também tem recebido uma boa parcela do meu tempo, dividido entre leituras, escritas, anotações (e rabiscos em cantos de livros, cadernos, papeizinhos e por aí vai...), alunas/os, provas para elaborar e para corrigir. Mas isso tudo, apesar de exaustivo, é a melhor coisa dos meus dias.

No entanto, hoje reli minha última postagem (NÃO VAI TER ÓDIO) aqui no blog e fiquei pensando em como viemos parar aqui. Muito do que penso não mudou daquela postagem. Muito no Brasil mudou (para pior). Mais e mais políticos (bem daqueles que defendem a família e lutam contra a corrupção) aparecem todos os dias em delações, acusações, jogos de poder e mídia. A Globo (de quem eu já fui muito fã...) a cada dia manipula mais e mais a sociedade e uma grande parcela dos brasileiros segue o bonde, na mais literal vida de gado. Mas não estamos sozinhos. O mundo todo está sofrendo. Cada país à sua maneira e por suas dores.

E eu fico aqui me perguntando: 'como chegamos até aqui?'.

Eu não sei responder para mim mesmo, e nem sei se quero saber a resposta, porque só de pensar que chegamos aqui por conta de nossas próprias ações e omissões fico com medo de ter uma resposta certeira que me diga que eu sou também responsável por isso.

Toda injustiça que vi e calei. Todo sofrimento que vi e desviei o olhar. Tanta coisa que eu comprei e depois joguei fora... (e a lista só aumentaria, mas prefiro deixar algumas coisas no campo das reflexões dentro da minha cabeça mesmo).

Isso me dá medo. Medo de ver que eu não estou sozinho quando viro o olho para as dores do mundo. Não estou sozinho quando penso em mim primeiro. Não estou sozinho quando me calo com as injustiças (algumas contra mim mesmo). Não estou sozinho em ter deixado a sociedade assim: doente.

Nestes últimos meses as coisas mais absurdas (pelo menos para mim parecem absurdas) têm acontecido: Fora Temer assumindo efetivamente a presidência do país; Trump eleito nos EUA e regorgitando suas leis e códigos morais a torto e a direito (torto não, porque com ele é só direito [straight]); Gaga lançando um documentário que parece ser maravilhoso na Netflix, mas cancelando sua vinda ao Rock in Rio, (aqui outra notícia linda desse cancelamento que deixou milhares de littlle monster em prantos), e dando um tempo na Joanne Tour; Coréia do Norte brincando de soltar mísseis e fazer ameaças aos EUA; México sendo devastado pelas ações da natureza (será?!); Refugiados buscando um novo lar e encontrando mais desafios em várias partes do mundo; Brasil lançando mais uma tendência no campo da psicologia: a Cura Gay (isso me parece tão 2014...); e por aí vai.

A desinformação e a ignorância humana parecem não ter limites! E essas são algumas das maiores doenças da nossa época, pois criam seres que oprimem, que maltratam, que matam.  E isso me deixa com medo.

Mas ainda há esperança (sempre digo isso para mim mesmo, pois um dia isso pode se tornar verdade)! Enquanto houver pessoas que se importam com o próximo, que cuidam de si, mas também cuidam dos outros, que não oprimem, que entendem, que se posicionam, que defendem os mais fracos, haverá esperança. E o que me deixa assim, com medo mas esperançoso, é saber que perto de mim há pessoas assim: boas, gentis, que sorriem ao me ver, que tentam ser melhores a cada dia, por mais difícil que isso seja. Para mim há esperança, há fé (em Deus, na vida) na humanidade.

Por isso vim aqui, só para deixar essa mensagem: Por mais que tudo pareça perdido, não desista. Tente outra vez!

Enquanto isso, toca Raul!



20/04/2016

NÃO VAI TER ÓDIO

Você acredita em um país melhor, mais democrático, mais humano, mais inclusivo...

Fonte da Imagem: Humaniza Redes.
Acorda de manhã e abre qualquer site de notícia na internet, ou mesmo qualquer jornal e/ou revista, ou entra no facebook, e PÁ! Leva um soco na boca do estômago. Um soco daqueles de revirar as entranhas e ficar sem reação, nem tanto pela dor do golpe, mas por perc
eber que aquilo tudo é um misto de ódio, desinformação, parcialidades, interesses individuais, tudo isso coroado por uma mídia que a cada dia perde o resto de decência e imparcialidade que um dia lhe foram atribuídos (na verdade me pergunto se foram imparciais um dia...) e por uma representação política que não defende os interesses da sociedade brasileira e que ‘anda e caga’ para os pobres e para as minorias.

Eu fico pensando no que é pior: a desinformação que circula livremente entre as pessoas; ou o ódio generalizado que se traveste de patriotismo/civismo/politicismo, ou pior: se traveste de religião e amor a Deus...

Não consigo chegar a um consenso. Vejo isso tudo como algo tão negativo a tudo e a todos que fica difícil eleger o que é pior.

A desinformação está aí, gratuita e sendo reproduzida diariamente, muitas vezes criada pela grande mídia (em especial a Globo [e olha que já fui fã da globo um dia...]) e compartilhada por milhares de pessoas como se fosse uma verdade! Além disso, temos os próprios políticos (que para minha tristeza representam, muitas vezes, o que seus eleitores pensam), que saem por aí regurgitando suas ideologias ultrapassadas, extremistas e fundamentalistas, arrastando com eles uma multidão de regurgitadores e reprodutores de conteúdo machista, preconceituoso (de muitas maneiras), lgbtfóbico, etc.; ou mesmo figuras públicas na televisão e no rádio, que cospem suas opiniões na cara das pessoas diariamente, fazem apologia ao ódio e à violência e que conseguem fazer também com que multidões de cuspidores de regras, ódio e violência compartilhem suas ideias. Sem falar no fato de que esse povo tem mania de colocar o nome de Deus em tudo. DEUS NÃO TEM NADA A VER COM ESSA SAFADEZA DE VOCÊS, hipócritas!

Mas o ódio também está entre nós! Penso que se as pessoas não fossem tão cheias de ódio essa palhaçada toda não teria tanta força. Se houvesse menos ódio, certamente haveria menos desinformação, menos fundamentalismo, menos crimes, menos violência.

Haveria mais amor. Mais compreensão. Mais reflexão!

Estamos passando por uma fase crucial em termos de política no país. E não falo da palhaçada ofertada no circo comandado por Eduardo Cunha (para mim um dos maiores ladrões da história política brasileira) no dia 17/04/2016. Aquilo, para mim, não foi um ato político: foi um ato criminoso!

Falo da percepção, mesmo que equivocada, da sociedade com relação ao papel dos políticos em nos representar no governo (Municipal, Estadual e Federal).

Falo da percepção de que a corrupção se institucionalizou na sociedade brasileira de tal modo que é difícil encontrar o ponto central desse mal. E com isso digo: a corrupção não ocorre no país por um único partido, ou por uma presidenta (presidentA sim!). A corrupção ocorre e está presente em todas as esferas da sociedade e é isso que legitima a extensão da corrupção para nossos governos.

Isso é um problema de a sociedade brasileira não saber votar? Também, pois se votassem de forma consciente talvez houvesse menos crápulas ocupando cargos de representação nas instâncias governamentais.

Mas é um problema maior ainda em função de a sociedade brasileira, pelo menos grande parte dela, não conseguir refletir no que se passa ao seu redor, no que acontece no dia a dia da política, no que a televisão cospe diariamente para dentro de suas casas.

É um problema o fato de o brasileiro pensar naquele ‘jeitinho’ para as coisas que não têm jeito.

É um problema o fato de muita gente dizer: ‘fulano rouba, mas faz!’.

É um problema o machismo nacionalizado que nunca aceitou uma mulher na presidência do Brasil.

É um problema a homofobia que não vê com bons olhos qualquer pessoa que não se enquadra  nos padrões de uma sociedade machista e heteronormativa.

Ainda, é um problema enorme a questão de muitos cidadãos e cidadãs brasileiras terem dificuldade em enxergar e respeitar o que lhes é diferente, seja na questão sexual, racial, religiosa, ideológica, etc.

É um problema não ver o outro pelo que ele é: uma pessoa, cheia de anseios, necessidades, problemas, amores, dúvidas... como todo mundo...

No entanto, mesmo com uma sociedade cheia de problemas (e olha que tem muito lugar no mundo pior do que aqui), ainda acredito no amor, na democracia, na justiça, na igualdade. Acredito que estamos muito longe disso e que só conseguiremos alcançar essa sociedade quando não tivermos mais representantes que elogiem a ditadura, preguem o machismo, reproduzam a intolerância religiosa (que, aliás, deveria passar longe da política uma vez que este país se quer Laico) e que, de fato, se preocupem com a sociedade de modo geral, não apenas com suas famílias, seus amigos, suas empresas.


Resumindo: mesmo levando, diariamente, socos na boca do estômago eu acredito no Brasil!

#nãovaiteródio

15/04/2015

Metamorfose Ambulante!

Acordei hoje pensando, pensando, pensando. E mais que nunca entendo que sou eu também essa metamorfose ambulante!
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As coisas mudam, os dias passam e a gente, mesmo sem perceber, vai tomando novas formas de um jeito que as vezes nem consegue identificar o que mudou, se mudou e como ficou... Hoje estou eu nessa indagação interna. 

Pensando cá com meus botões só consigo perceber que mudei. E mudei muito. Se para melhor ou para pior só o tempo vai dizer. Mas uma coisa é certa: assim como um rio nunca corre duas vezes no mesmo lugar, nossa mutação é constante, seja física, mental ou espiritualmente. Mudamos sim... E eu tenho orgulho de ser um mutante, uma metamorfose ambulante.


♪ "É chato chegar

A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante" ♫

26/12/2014

Tempo Bom, Tempo Ruim. (Jean Willis)

Dica de leitura: Wyllys, Jean. Tempo Bom, Tempo Ruim: identidades, políticas e afetos. Editora Paralela, 2014.

Tempo bom, tempo ruim fala sobre assuntos que vão desde as manifestações populares de junho de 2013 até a homofobia e o racismo no futebol, passando pela telenovela, a legalização da maconha e o impacto das tecnologias da comunicação. Com lucidez, erudição e honestidade implacável, Jean Wyllys revê sua trajetória e as lutas que trava diariamente, revelando ao leitor os conflitos sociais e raciais do Brasil, um país de avanços e retrocessos, de tempo bom e tempo ruim. (Fonte: Companhia das Letras)


(...) E mesmo para aquele ou aquela que se imagina ou se comporta como uma ilha, alheios ao continente de pessoas vivendo em sociedade, a vida é um suceder de batalhas que se desdobram dentro de si.

(Jean Wyllys, 2014, p. 13)

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Acabei de ler 'Tempo Bom, Tempo Ruim' e um gostinho de quero mais permanece. Ultimamente são poucas as leituras que me deixam assim, com vontade de ler mais e mais sobre o tema, independentemente de qual seja, de saber mais sobre as coisas que um certo alguém está dizendo, e, neste caso, de conhecer um pouco mais da realidade do nosso Brasil.

Um texto de leitura fluída, com uma linguagem acessível e sem subterfúgios linguísticos [ao meu ver, no meu simples papel de consumidor de literatura] que traz dados e informações sobre um Brasil que nem todos querem ver: que oprime, que julga, que discrimina, que mata, mas que ainda tem esperança, repleto de 'tempos bons e tempos ruins'.

Nos contando um pouco de sua vida e sua infância, Jean Wyllys faz entender seus posicionamentos atuais. Do contato com a pobreza e a periferia ao mundo religioso, ambientes repletos de significados e que ajudaram a formá-lo, segundo ele, como cidadão e ser humano.

Passando por temas centrais nas discussões políticas atuais, como a apropriação da mídia sobre as relações de gênero, o casamento homoafetivo, a criminalização da homofobia, a descriminalização ou legalização da maconha, as influências das tecnologias de informação e comunicação na vida cotidiana, dentre outros tópicos, Wyllys apresenta um panorama de um país que vive em constante luta por direitos e ideais. Como um defensor dos direitos humanos, o autor apresenta seu posicionamento com relação a esses e a outros temas, nos fazendo refletir em alguns posicionamentos que nós mesmos não conseguimos entender de onde vem e por quê.

Mesmo ainda não tendo condições de formar posicionamentos sobre determinados temas abordados no livro, como a questão da maioridade penal (que eu considero como uma alternativa para muitas situações que ocorrem diariamente no país, e que o autor é contrário), consegui entender os posicionamentos de Wyllys e as suas justificativas, bastante fundamentadas e claras. 

Acima de tudo, essa leitura torna ainda mais clara a visão que tenho de uma sociedade preconceituosa e discriminatória, que ridiculariza, exclui e maltrata aqueles que considera diferente ou aqueles que ameaçam os padrões impostos por uma cultura construída sobre sólidas bases de preconceito e discriminação, enaltecendo determinados grupos sociais, raciais e sexuais.

Enfim, uma leitura prazerosa e clarificadora com relação ao nosso país e a nós mesmos. Recomendo!!!